Operação contra fraude em licitação e corrupção afasta secretário de Camaragibe, no Grande Recife

Operação Harpalo, cumpriu 11 mandados de busca e duas suspensões de atividades empresariais. 'Tudo gira em torno do prefeito', diz delegado.

Prefeitura de Camaragibe é um dos alvos da Operação Harpalo, desencadeada nesta terça-feira (26) — Foto: Mônica Silveira/TV Globo

Foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão domiciliar, duas suspensões de atividades empresariais, além das medidas protetivas e do afastamento cautelar pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE).


"Essas empresas [que tiveram suspensão de atividade] são de construção civil. A investigação apurou que esse pessoal tinha residência e contato em outros locais. Conseguimos mandados para locais de interesse da população", aponta o delegado. O nome das empresas não foi divulgado.


Por volta das 7h, policiais civis faziam uma varredura no edifício sede da prefeitura de Camaragibe. Funcionários que começariam o expediente às 7h30 ficaram do lado de fora do prédio, mas entraram por volta das 8h, com a saída de policiais do prédio.


As investigações começaram em dezembro de 2018, em relação a crimes que já aconteciam, aponta o delegado. Os materiais apreendidos foram encaminhadas para a sede do Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Draco), no bairro de Tejipió, no Recife.


Ao todo, 90 policiais foram escalados para a operação desta terça, além de dois auditores do Tribunal de Contas do Estado (TCE).


Polêmicas na prefeitura

No dia 17 de fevereiro, o prefeito de Camaragibe, Demóstenes Meira, divulgou mensagens de voz pelas redes sociais e WhatsApp, convocando os servidores comissionados para participar o desfile do bloco Canário Elétrico, no Centro de Camaragibe. Na mensagem, ele pede a presença dos servidores no show da noiva dele, a cantora e secretária de assistência social Taty Dantas.


O desfile do bloco foi organizado pelo secretário de Educação Denivaldo Freire. A contratação de Taty Dantas, segundo o secretário, ocorreu a partir de um pedido do prefeito Demóstenes Meira.


Nas mensagens, Meira afirmou que filmaria o evento para saber quantos comissionados compareceriam, de fato, para prestigiar Taty Dantas. Pouco antes do desfile do bloco, o prefeito confirmou que fez a convocação dos servidores e justificou que “era preciso apoiar a noiva”.


A atitude de Meira provocou a reação da Ordem dos Advogados do Brasil em Pernambuco (OAB-PE). O presidente da entidade, Bruno Baptista, conversou com a TV Globo no dia do desfile do bloco e afirmou que o conteúdo das gravações era muito grave.


O áudio também motivou Ministério Púbico de Pernambuco a abrir procedimentos para investigar o prefeito de Camaragibe. Os vereadores do município abriram um processo de impeachment contra Meira.


Em 19 de fevereiro, o MPPE informou que ingressou com uma ação civil pública contra o prefeito. No mesmo dia, o Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE) impediu a prefeitura de repassar verbas públicas a atrações do carnaval em 2019.


A ação civil pública também traz como réus a cantora Taty Dantas e o secretário municipal de Educação, Denivaldo Freire Bastos.


Link: https://g1.globo.com/pe/pernambuco/noticia/2019/03/26/operacao-mira-grupo-ligado-a-fraude-em-licitacao-corrupcao-e-lavagem-de-dinheiro.ghtml



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