Estudo diz que o maior esquema de corrupção do Brasil é a sonegação de imposto

November 4, 2015

Um papo muito comum de se ouvir aqui no Brasil é em relação à alta carga tributária do país. As reclamações são sempre as mesmas, seguidas de uma justificativa que parece individual – mas que não passa da obrigação de qualquer cidadão. Não raro as queixas são seguidas do brado: “Eu pago os meus impostos!”. Mas, afinal, será que o brasileiro paga mesmo?

 

De acordo com levantamento do Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda Nacional (Sinprofaz), o Brasil soma mais de R$ 1,162 trilhão em débitos tributários na Divida Ativa da União, isto é, esse valor é o que o país ainda tem a receber de cidadãos e empresas que não pagam os seus impostos.

 

“Quem sonega imposto no Brasil não são pobres, trabalhadores e classe média. Esses pagam na fonte, pois o salário já vem descontado, ou então pagam imposto indireto quando adquirem um bem ou quando pagam um serviço. A sonegação é praticada basicamente por grandes empresas, que têm verdadeiros exércitos de advogados pra driblar a legislação e deixar de recolher tributos devidos”, explica João Sicsú, professor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em declaração reproduzida pelo Brasil de Fato.

 

Os valores dos débitos acumulados representam mais de 580 vezes os desvios do esquema de corrupção na Petrobras, investigado pela Polícia Federal na Operação Lava Jato. Em comparação com o Mensalão, o montante é 8.000 vezes maior.

 

Dos R$ 1,162 trilhão, somente 1% retorna à União. “É muito pouco. Recuperamos por ano cerca de R$ 13 bilhões. Um investimento maior de cobrança dessa dívida poderia fazer o orçamento da União crescer muito”, defende Sicsú.

 

Na contramão do famoso “Impostômetro” localizado no centro da cidade de São Paulo, a Sinprofaz mantém no portal Quanto Custa o Brasil pra Você? o “Sonegômetro”, onde é possível ver o quanto deixa de ser pago no país. Até o fim deste ano, o total poderá chegar a R$ 500 bilhões, equivalente a 10% da economia nacional. Destes, 80% foram sonegados com “mecanismos sofisticados de lavagem de dinheiro”, de acordo com o sindicato.

 

“Se analisarmos os números trazidos pelo painel da sonegação, verificamos como é injusta e desnecessária toda essa recessão imposta à população”, avaliou o presidente do Sinprofaz recentemente, traçando um paralelo entre os atuais R$ 426 bilhões a serem pagos e a meta do ajuste fiscal do Governo Federal (R$ 60 bilhões).

 

“O que gasta com saúde, educação, habitação, Bolsa Família e seguro-desemprego não chega a R$ 300 bilhões por ano. E o Brasil, só esse ano, além de pagar R$ 500 bilhões em juros da dívida pública para banqueiros e empresários, ainda vai deixar de cobrar outras centenas de bilhões em impostos sonegados. Nós precisamos repensar os gastos do governo, de arrecadação, mas também de cobrança”, completa o professor Sicsú.

 

Nos dias 22 e 23 de outubro, o “Sonegômetro” foi instalado no vão do MASP, em São Paulo, juntamente com uma máquina de lavar gigante, símbolo do artifício mais usado pelos sonegadores mais poderosos do país: a lavagem de dinheiro.

 

 

 

 

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